A Rafaella respondeu algumas perguntas aqui para o Escrivaninha.
E.L - O que a motivou a deixar a área do Direito e se dedicar a literatura?
Rafaella - Eu havia começado a escrever em
2006 e em 2007 terminei meu primeiro livro (Skate na pista do Amor), e foi à
melhor sensação que eu já senti na vida, foi quando percebi que meu sonho era
ser escritora juvenil e eu tinha que seguir esse caminho de todo jeito. Então
em 2008 saí do escritório
para me dedicar a escrever, e é claro que ainda não vivo só de livros, tenho a ajuda dos meus pais e faço alguns trabalhos de ghost writer como freelancer. Mas não me arrependo por estar no caminho certo para a realização dos meus sonhos.
para me dedicar a escrever, e é claro que ainda não vivo só de livros, tenho a ajuda dos meus pais e faço alguns trabalhos de ghost writer como freelancer. Mas não me arrependo por estar no caminho certo para a realização dos meus sonhos.
E. L - O tema do livro é polêmico e atual. Você teve receio de que o livro não fosse bem recebido pelo seu público alvo?
Rafaella - Apesar de o tema ser considerado
“polêmico” por algumas pessoas, pois a história do livro Depois daquele beijo gira
em torno da paixão de uma menina por outra, não tive medo que o público teen
não o recebesse bem. É uma história de amor e acredito que desperta muito mais
curiosidade em geral do que repulsa. Além do mais não há nada que eles não
estão acostumados a ver em Glee, Pretty Little Liars e outros seriados por aí.
E.L - No livro você usa uma escrita jovem, atual e despojada. É difícil escrever dessa maneira, já que era acostumada a linguagem jurídica?
Rafaella - Pelo contrário, eu sempre fui fã
de cultura pop juvenil e me sinto muito mais à vontade escrevendo livros teen
do que jamais senti ao escrever as peças jurídicas. É engraçado porque muitas
pessoas vêm me perguntar como é que eu escrevo como se fosse uma adolescente,
pois ao lerem o livro acreditam que é uma menina de 16 anos contando sua
história. Eu acho que isso o que acontece é ainda inexplicável, não tento
“forçar a barra” quando estou escrevendo, sabe? A coisa simplesmente flui com a
maior naturalidade para mim.
E.L - Pelo o que li do 1º capítulo do livro a história é toda ambientada
Rafaella - Eu não sei se eles estão
ligados, mas certamente estão mais abertos a isso, pois outras autoras juvenis
ambientam seus livros no Rio de Janeiro, em São Paulo , em Belo Horizonte ,
etc. Sendo assim, a minha agente literária já tinha me dado o toque que seria
interessante eu ambientar minhas histórias na minha cidade (antes os livros não
citavam a cidade onde se passavam), daí eu segui a dica e achei que o resultado
ficou muito legal. Eu passeei por algumas ruas do meu bairro (o bairro de Boa
Viagem, em Recife), olhei casas, lugares, tirei fotos e então a ambientação
ficou bem realista e deu um toque a mais na história. Até agora isso foi muito
bem visto pelos leitores, como um ponto positivo. Uma das leitoras fez
inclusive uma observação que eu adorei: “A Rafaella conseguiu escrever do seu jeito brasileiro, mas com aquele
toque americano.”
E.L - Antes tínhamos uma tendência dos escritores brasileiros em ambientar suas histórias no estrangeiro. Você vê essa regionalização das histórias um fator positivo?
Rafella - Totalmente! Eu acho estranho ambientar
uma história brasileira em território estrangeiro. Não é que não funcione, mas
uma vez li um livro assim e me passou a ideia de ser meio fake, sabe? Tipo meio
forçado. Se a protagonista é brasileira e por alguma razão está morando no
exterior e o ponto principal da história é a experiência dela lá, se tem a ver,
então ótimo, fica bem legal e realista, como por exemplo: os livros Fazendo Meu
Filme 2 (e o 4 que será lançado em breve) da autora Paula Pimenta, aí tudo bem
porque a história ser ambientada no exterior nesses casos tem tudo a ver com a
trajetória da protagonista Fani. Nos demais casos, creio que colocar uma
história ambientada no exterior só para ser “americanizado” não passa
veracidade. Temos que dar valor ao nosso país.
E.L - Na sua vida, a literatura e a escrita são uma paixão desde sempre ou uma nova descoberta?
Rafaella - Desde sempre amei ler e escrever,
mas só descobri que queria ser escritora profissionalmente em 2006 quando
comecei a bolar histórias e senti a necessidade de colocá-las no papel. Daí
escrevi meu primeiro livro em 2007, foi nesse momento que eu vi que era o meu
sonho.
E.L - Em sua opinião, qual um dos erros que os escritores brasileiros mais cometem?
Rafaella - Eu vejo muita gente sem acreditar
nas suas obras e sem paciência de lutar pela publicação dos livros. Para você
ter seu livro editado por uma editora comercial GRANDE (que é onde você tem a
chance real de fazer sucesso e ser conhecido pelo país inteiro) é demorado e um
processo muito doloroso de espera, decepções e etc, então muita gente
simplesmente vai e procura uma editora independente qualquer (em que o autor
paga pela publicação) só para ter seu livro publicado. Claro que alguns
conseguem serem conhecidos mesmo assim, mas eu desde o começo não quis fazer
uma publicação independente, achei melhor esperar, e agora 5 anos depois as
coisas estão começando a dar certo.
E.L - Quais os pontos positivos e negativos que você destaca na atual literatura brasileira. E o que ainda precisa melhorar?
Rafaella - A literatura brasileira está cada
vez melhor, os novos autores que estão surgindo por aí estão surpreendendo
muita gente e a tendência é melhorar ainda mais. Acho que o que tem de melhorar
é os autores se profissionalizarem, ou seja: acreditarem que suas obras podem
sim serem publicadas por uma ótima editora, mas eles têm que ralar para isso,
porque na maioria das vezes não acontece da noite para o dia e nem de um ano
para o outro.
E.L - Você recomendaria seu livro para pais em geral? Por quê?
Rafaella - Acho que seria ótimo que os pais
lessem, até para verem que não há nada de anormal, é uma coisa que acontece.
Uma menina pode se apaixonar por um menino, ou por outra menina, ou um menino
pode se apaixonar por outro. É algo que pode acontecer em qualquer família,
círculo social, e ao lerem Depois daquele beijo creio que iriam perceber a
pureza e beleza do amor que é muito importante para compreenderem melhor e
desbancar o preconceito.
E.L - O livro trata de assuntos bem relevantes na sociedade. Ele seria uma critica a atual sociedade?
Rafaella - Não é uma crítica, é um abrir de
olhos. Tipo: vejam, isso acontece e merece atenção. Eu não escrevo com a
intenção de criticar ninguém, mas sim de divertir os meus leitores. Esse é o
meu objetivo maior.
E.L - Comente um pouco das suas novas obras.
Rafaella - Sete Minutos no Paraíso é meu próximo lançamento, está previsto para
abril ou começo de maio pela Editora Gutenbeg. Nesse livro eu abordo a história
de uma garota que se acha a esquisita da escola, ela só tem um único amigo
desde criança e de repente se descobre apaixonada por ele. Tem um vídeo Teaser
para quem quiser ver no meu blog: www.seteminutosnoparaiso.blogspot.com
. Está confirmado também o lançamento do Skate na Pista do Amor, uma história
sobre um garoto cujo sonho é participar do campeonato de skate. Quem quiser
ficar por dentro das notícias, o blog é: www.skatenapistadoamor.blogspot.com
, esse deve ser lançado final de 2012 ou começo de 2013.
"Toda escrivaninha é um lugar de Leitura"
Adorei a entrevista c:
ResponderExcluirA Rafa é muito fofa *O*..rsrs'.
Beijos,
Cantinho de uma garota
@thalita0liveira
Que bom que gostou, ela é mesmo!
ResponderExcluir=D.