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RECOMEÇAR (ANIVERSÁRIO DE 4 ANOS DO BLOG)

26 novembro 2015 Comentar
Existem momentos nessa caminhada chamada vida, que você perde o rumo, não sabe qual caminho seguir e senta na estrada esperando aquela luz ou mesmo alguém aparecer com um mapa e te mostrar a trajetória correta. Nesses momentos parece que tudo o que se faz: as ideias, os projetos, aqueles sonhos de mudar o mundo, não são mais tão importantes do ponto de vista idealizador da ação. - A gente perde a conexão com nós mesmo e, para de ouvir o nosso eu interior, nossa consciência e emoção. - Aquele grilho falante da fábula do Pinóquio. Ainda bem que - mesmo parecendo coisa de outro mundo - ainda existem algumas fadas madrinhas que te puxam de volta e te trazem para o caminho certo. Te conecta novamente com a criança interior que sempre esteve e estará dentro de cada um de nós. Aquela pessoinha que não tem medo de nada, que acha incrível começar uma nova aventura e tem energia de sobra para mudar o mundo. O Escrivaninha é esse sonho de criança que nasceu das minhas aventuras nos livros e do meu amor, desde pequena, por esse universo incrível das palavras e ideias que é a Literatura. Por isso e, por saber da importância da Literatura como motor de mudança para as futuras gerações de leitores brasileiros é que não vou deixar o dia a dia matar esse sonho. Hoje é dia de voltar a ser criança e trazer de volta o espirito transformador e sonhador da juventude. Vamos criar, através da Literatura um universo onde as crianças que um dia fomos, nunca morram.

O texto a seguir foi escrito por uma amiga e companheira de sonhos, conversas e literatura, Andrielle, do blog Mais Íntimo, que foi, muitas vezes, durante este ano, minha fada madrinha. Me tirando e resgatando do mundo dos sem sonhos e me trazendo de volta para o universo lúdico do ato de sonhar e acreditar, me tornando novamente O Menino Maluquinho. O texto também comemora os quatro anos do Escrivaninha Literária.  


PAIXÃO INDESCRITÍVEL!

CRÉDITOS: imagem encontrada no blog Black Girl Nerds

Ela significa tudo para mim. Não sei o momento exato que confirmei a intensidade dos meus sentimentos, mas hoje posso afirmar que sem ela não saberia viver, não mais. Por causa dela, deixo de comer, sair com os amigos, dormir oito horas seguidas e assistir televisão. Ela é um pensamento contínuo que me deixa com uma cara de bobo perante o mundo inteiro. Durmo e acordo louco para estar com ela, qualquer lugar é um lugar adequando para falar sobre como ela me faz sentir, talvez eu não seja o único apaixonado, mas o meu jeito de demonstrar essa paixão é quase anormal.

Caramba, ela é melhor que sono e chocolate juntos! Não sei como descrever o que sinto quando o assunto é ela, essa paixão começou muito cedo e após tantos anos continua despertando a mesma emoção. Meu coração ainda descompassa sob o seu efeito. Não costumo confessar, mas ela transformou a minha vida, me apresentou um novo universo cheios de possibilidades e mistérios. O mundo ao meu redor mudou, a minha absorção e interpretação em relação ao que ocorre a minha volta também. Palavras como compreensão, respeito e tolerância foram inseridas em minha vida por sua causa.

Tudo aconteceu tão rapidamente, em questão de dias percebi que ela não seria mais um hobby. Percebi que não queria desfrutar a sua companhia apenas nas horas vagas ou para passar o tempo. Com ela, eu queria relacionamento sério, (casamento), soube imediatamente que a minha vida jamais seria tediosa ou desinteressante. Porém, à primeira vista ela não era notada ou sequer desejada,
o que despertava a curiosidade alheia, afinal o que eu vi nela? Esse questionamento era cotidiano, porque ela era, (e ainda é), entrelinhas. Para os olhos desatentos ela não causa nenhum efeito, já para os meus olhos, ela era a mudança drástica que eu tanto esperava.

Silenciosamente, ela moldava o meu caráter, destruía os meus infelizes preconceitos, melhorava o meu vocabulário, e proporcionava um enorme entretenimento. Durante a madrugada ela costumava me fazer rir por questões simples como: a minha falta de conhecimento sobre determinada cultura. Ela é uma fonte inesgotável de conhecimento, possui uma essência incompreensível. Em determinados momentos é sexy, em outros, suspense, mas também é mistério, drama, aventura, romance, fantasia. Ela é mais que sentimentos, mais que simples palavras. Ela é frases complexas, páginas inteiras que  complementam a minha existência. Nunca conseguirei entendê-la, por isso, ela
é tão interessante. Enfim, admito que a LITERATURA é a minha paixão indescritível.


Andrielle Antonia

Mulher, Negra, Feminista que foge dos padrões estéticos de beleza, primeiramente por não vestir tamanho 36, mas principalmente por causa do seu cabelo afro (black power). Graduanda em História, Blogueira, dona do Mais Íntimo (www.maisintimo.com.br). Viciada em séries, livros, blogs e pessoas. 

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CRÔNICA DE BOLSO #4 - LIVRE PARA APRENDER

04 agosto 2015 Comentar
imagem retirada do site MdeMulher 

Estamos sempre tentando descobrir quem somos. Quem é aquela pessoa que, no fundo, tenta encontrar nesse mundo uma razão para nele estar; o lugar perfeito em que se encaixar; pessoas certas para se relacionar; motivos para ficar.

Eu sou uma dessas. Durante anos tentei me entender, me encontrar. 
Se consegui? Ainda não sei dizer. Provavelmente, a descoberta de si mesmo nunca será absoluta. Ela ocorre gradativamente. Você nunca terá certeza de quem é realmente. 
Por um lado, isso é bom. Você entende que seus pensamentos podem mudar. Que aquela capacidade de se impressionar com pequenas coisas, como quando ainda criança, continua lá. 
Aliás, um conselho: nunca perca essa capacidade. Sem ela, a vida fica vazia. Não que a minha seja completa, ainda não. Mas cultive a alegria de sentir prazer nas pequenas coisas.
Poderia listar centenas de pequenas coisas que deixamos passar todos os dias, diante dos nossos olhos grudados nas telas dos smartphones, enquanto a vida passa. 
Você já parou para ouvir o canto dos pássaros hoje? Tentou tirar os fones (que usa enquanto está no ônibus para afastar possíveis diálogos com possíveis pessoas interessantes) para tentar um pouquinho de interação?

Não, né? Olhou o céu? Hoje ele está lindo, sabe? Os dias cinza se foram. Agora, as nuvens de algodão-doce formam bichinhos. Vi até uma tartaruga. No céu! Que loucura.Nessa vida, não temos certeza de nada, pelo menos não eu. Só sei que, por enquanto, quero seguir. Com minhas incertezas, minhas alegrias, minhas tristezas (sim, porque elas fazem parte de todo o aprendizado também) e com a vontade de permanecer livre. De poder voar, de poder ficar, de me movimentar ou só permanecer imóvel por algum tempo. É preciso parar. Dar tempo ao corpo, à mente.
Faça o que tiver vontade. Dance, corra, beba, viva! Celebre!


Lilian Oliveira
 "Eterna aprendiz, jornalista, escritora compulsiva e viajante, (sobre)vivendo no mundo e exercendo a (lou)cura"
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CRÔNICA DE BOLSO #3: QUEM SOU EU?

01 julho 2015 Comentar
Eu sou um ser humano no meio de milhares de outros seres humanos. Uma pequena fagulha no universo.  Cheio de sonhos, planos e projetos de viver em um mundo melhor. Eu sou aquele pequeno embrião que insistiu em ver o mundo: as alegrias, as dores, os amores, as tristezas e, tudo mais que ele pode proporcionar.  Eu sou Leão no meio da selva. É leãozinho para quem me preza. 

Eu sou aquele menino franzino que corria descalço pelo quintal, sonhando um dia ser grande e, correr o mundo.  Sou meus próprios sonhos, desejos, ambições e frustrações.  Sou o meu eu menino, tentando se tornar homem.  Não só na questão de gênero, mas no caráter. No homem que um dia meu pai e avô foram. Eu sou mais um no jogo da vida, tentando ocupar o meu lugar nesse ciclo sem fim. Tentando deixar meus rastros por aqui.  Para que um dia alguém possa contar, ao menos, uma história sobre mim.  

Eu também sou a luta dos oprimidos, daqueles assim como eu, que só querem um sentido para ser e ter. Eu sou o menino que se tornou adolescente e, quis virar jovem, e agora, homem. Nesse pequeno relato de minhas metáforas de vida eu fui o tudo, mas o nada. Sou mais um no meio de tantos, mas que deseja com maior afinco, ser tanto. 


Leonardo Souza
Estudante de Jornalismo. Blogger Literário.Criador e editor do @eliteraria. Bookaholic, amante das artes e redes sociais. #socialmedia. E mais recentemente também escreve para o blog de moda (outra paixão) Ruler - Be The One
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CRÔNICA DE BOLSO #2: CURTA VIDA

26 junho 2015 1 Comentário
Mármara morreu essa noite. Primeiro, tentou dormir. Após horas se debatendo na cama, enfim descansou.

Passou por vários lugares, viu muitos demônios, os mesmos que a assombravam em vida.

Já não tinha mais medo. Já não mais sentia. Olhou-os indiferente e seguiu. Andou por estradas estreitas.

Pisou em pedras soltas e caminhou por locais traiçoeiros. Perdeu-se em pensamentos e afogou-se em possibilidades.

Morreu e continuou com os "e se". E se tentasse voltar? E se pudesse fazer diferente? E se, com a volta, a vontade de viver a acompanhasse, finalmente?

Não quis, mas voltou. Do sonho, despertou assustada. Com medo, fechou-se para o mundo que já se fechara para ela! Não levantou da cama.

O quarto não era limpo há dias. As roupas tomavam o ambiente. No chão, na estante, na cama, na escrivaninha, na janela, na porta.

Com os livros, era a mesma coisa. Já não havia espaço para ela. A esfera que ela própria criou a excluiu.

Não podia mais dormir. Não podia mais sonhar. Não podia mais viver. Vagava por aí um corpo que padecia. Uma alma que não sentia. Uma vida vazia.

Tentou por fim a tudo isso, mas Mármara era fraca. Para morrer, é preciso coragem. Nem isso ela tinha. De tanto pensar, desabou.

Caminhou pela subjetividade do seu ser. Não encontrou nada atrativo. Ela era simples, mas complexa. Bela, mas misteriosa. Inteligente, mas indiferente ao mundo.

Depois dessa noite, decidiu: precisava morrer! E logo! Já não suportava mais viver em meio aos demônios que a assombravam. Queria paz.

Deixou uma carta para a própria lápide:

"Aqui vive alguém que nunca em vida viveu

Alguém que abandonou as frustrações

Os medos e as intempéries de todo aquele sofrimento

Aqui vivo em paz. Os demônios são meus amigos

Eles cantam em meu ouvido enquanto durmo

Eles me acalentam quando sofro

Acordam-me quando temo

Abraçam-me quando choro

Aqui vive alguém que nunca teve paz

Que em vida não viveu, mas que, na morte, se encontrou."


Depois de escrevê-la, sentiu-se leve. Pegou sua mochila, caminhou pela casa. A bagunça agora a assombrava. A escuridão era tenebrosa. No entanto, ela não acendeu as luzes.

Sentou-se no chão e olhou o ambiente. Lembrou-se de todas as situações que ali viveu. Lembrou-sedo dia que leu dois livros numa madrugada e sua existência parecia minúscula, e seu sofrimento banal. Naquela madrugada chorou. Escreveu. Apagou. Lembrou-se do dia em que fumou loucamente, como se aquele ato pudesse lhe tirar do marasmo. Lembrou-se do dia em que bebeu.

A bebida era companheira fiel de Mármara. Ambas se entendiam perfeitamente. A bebida a acalmava. Sentia nela tesão, amor, carinho e paixão. Passou dois dias seguidos dormindo, depois que bebeu uma garrafa de vinho, dez cervejas e umas doses de tequila. Não havia ninguém para fazê-la parar.

Quando acordou, decidiu que queria morrer. Agora está aqui, lembrando-se de todas essas situações que ocorreram incontáveis vezes na pequena casa.

Pegou sua mochila e saiu. Estava em estado de êxtase. Não ouvia as pessoas à sua volta. Não sentia o cheiro das flores. Não ouvia a buzina dos carros. Não via um palmo à frente do nariz.

Simplesmente caminhou. Foram 15 minutos de transe. Chegou ao parque que tinha um lago, onde costumava ler quando a casa a espremia contra as paredes. Colocou a mochila no chão.

Tirou os sapatos. O vestido. A calcinha. Bagunçou o cabelo. Ela não via ninguém e, do mesmo modo, ninguém a via. Entrou no lago. Caminhou calmamente entre os patos e mergulhou.

Mergulhou para o desconhecido. Mergulhou para a escuridão. Três dias depois, seu corpo boiava entre os patos. As crianças que viram ficaram chocadas. Nunca esqueceriam aquela cena.

Mármara foi identificada. Sua casa foi aberta e suas coisas organizadas. Em meio ao caos, a carta foi avistada.

Os escritos eram seus últimos desejos. Assim o foi. Mármara vive no cemitério. Em seu túmulo, escreveram exatamente o que ela queria.

Mármara agora é feliz. Encontrou, na morte, sentido para a vida.


Lilian Oliveira
 "Eterna aprendiz, jornalista, escritora compulsiva e viajante, (sobre)vivendo no mundo e exercendo a (lou)cura"
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CRÔNICA DE BOLSO #1: NO CONSULTÓRIO

18 junho 2015 1 Comentário
Olá leitores, tudo bem com vocês. Hoje o Escrivaninha estreia a coluna CRÔNICA DE BOLSO que trará textos autorais de várias pessoas super incríveis. Se você também é um escritor que adora escrever textos sobre a vida, amor e seja o que for, mas esses estão escondidos até hoje nos mande para podermos divulgar aqui na coluna. É só enviar para leonardo@escrivaninhaliteraria.com com uma pequena biografia e uma foto bem bacanuda. 


imagem do google. 


Cheguei ao consultório, disposta a dizer que nada do que ele tinha me receitado fazia efeito, sim, depois de quase um mês tomando diariamente aquele remédio, nada tinha mudado em minha vida, cheguei a pensar que pelo fato de ser gratuito o remédio estava vencido, afinal, não fazia efeito. Não marquei hora, fui na esperança de ser encaixada para minha consulta, três horas e 45 minutos esperando, ao ser chamada, já fui articulando o que falaria ao entrar na sala do médico, mas antes do bom dia, ele já me recebeu com um sorriso e disse que ficava feliz em me ver melhor, papo de médico, deve dizer isso a todos os pacientes. Docemente me perguntou o que fazia alí, já que meu retorno ainda demoraria, enquanto falava da minha insatisfação, ele cuidadosamente observava cada detalhe de minhas palavras, e fazia pontos de cores diferentes em meu prontuário, no final de meu desabafo, ele sorrindo me disse, leia isso, pensei que eu ou ele estávamos doidos, não tinha nada escrito, disse que via apenas pontilhados sem sentido. Ele então virou do outro lado e me pediu para ler, novamente observei aquilo, e comecei a entender. Cada ponto azul, representava a liberdade da alma
Os pontos verdes, as barreiras ultrapassadas
As pretas, os medos enfrentados
Pontilhados amarelos, eram as conquistas
E os vermelhos, meus sonhos, fiquei intrigada, de certa forma, aquilo me representava tão bem... Percebi uns pontinhos brancos, bem pequenos, mas não tinha nada alí, perguntei, é claro, então ele começou a explicar, cada ponto de nossa personalidade tem uma cor, cada cor, representa nossas áreas fortes e fracas e aquele branco, era o que eu ainda precisava colorir, disse-me que eram os dias não vividos....
Falei a ele que tinha compreendido, mas que o remédio não fazia efeito, ele então me mostrou o prontuário de minha primeira consulta, vazia, apagada, sem vida. Eu entendi, o remédio me fazia viva, mudou tudo em mim, em todas as áreas, que mágico!!!
Ele então me disse: "tome diariamente o seu remédio, ele faz efeito sim, é só olhar para dentro de si, e vais ver a diferença, mais uma vez, receitou o mesmo remédio, agora em doses ainda maiores, explicando que a dependência, só me faria bem "esse é o tipo de remédio, que curará todas as dores, se todos soubessem o poder que ele tem, o mundo não estaria tão sofrido"... Pegando em minhas mãos, despertando em mim, sorrisos... falou que esse remédio se chama, amor!"


Lívia Costa, acadêmica de Jornalismo, cronista, escritora, poetisa e amante de literatura.   


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